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sábado, 25 de Março, 2017 - 04h41

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Aperto monetário acaba em fevereiro, diz Opus

A ata da reunião do Copom de janeiro, mais suave do que o esperado sobre a inflação, indica que o movimento de alta de juros iniciado pelo BC em abril será encerrado em fevereiro, com uma elevação da Selic de 0,25 ponto porcentual, comentou ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o professor da PUC-RJ e economista-chefe da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo. "Além disso, chamou a atenção que o Banco Central deu um downgrade no crescimento de 2014. Ele fez várias avaliações que indicam um nível de atividade mais fraco neste ano, que na melhor das hipóteses será igual ao de 2013", comentou. No relatório de inflação de dezembro, a autoridade monetária reviu sua previsão de expansão do PIB para o ano passado, reduzida de 2,5% para 2,3%.

Na avaliação de Camargo, o Banco Central não fez nenhuma menção contundente de que a inflação preocupa bastante, o que sinaliza que a magnitude da alta de juros será reduzida na reunião que será encerrada no dia 26 de fevereiro. Para o acadêmico, a ata de janeiro não avança muito sobre a principal manifestação realizada pela instituição relativa à evolução recente do IPCA, feita pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, no dia 10 de janeiro, quando foi divulgado o IPCA de dezembro, que subiu 0,92%. "A inflação ao consumidor medida pelo IPCA encerrou 2013 em 5,9% (5,91%), mostrando resistência ligeiramente acima daquela que se antecipava", dizia o comunicado.

No parágrafo 26 do documento divulgado nesta terça-feira, 23, foi agregada a ideia principal daquela frase de Tombini, o que o tornou levemente diferente do trecho homólogo da ata da reunião do novembro, o parágrafo 25. "O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava", relata a frase adaptada na ata publicada nesta manhã.

Por outro lado, José Márcio Camargo notou uma novidade por parte do BC: expressar que o nível de atividade está fraco, o que deverá reduzir no médio prazo a força de eventuais pressões de alta sobre a inflação. Ele destaca que este conceito foi mostrado no parágrafo 21. "O Copom pondera que o cenário central contempla ritmo de expansão da atividade doméstica relativamente estável este ano, em comparação a 2013, e que informações recentes indicam, no horizonte relevante para a política monetária, mudanças na composição da demanda e da oferta agregada." E no mesmo trecho a avaliação é complementada: "Para o Comitê, entretanto, delineia-se ambiente em que o consumo tenderia a continuar em crescimento, porém, em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes; e os investimentos ganhariam impulso."

Segundo Camargo, o BC expôs que diminuiu sua apreensão relativa à influência do mercado de trabalho apertado para elevar a inflação. Ele citou um trecho, também no parágrafo 22, no qual o Banco Central destaca que alguns fatores, inclusive "avanços em termos de qualificação da mão de obra, traduzir-se-ão numa alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de produtividade." Para o acadêmico, a redução do vigor do nível de atividade é um dos principais elementos ressaltados pelo ata do Copom para indicar que o segundo ciclo de alta de juros do governo Dilma Rousseff será encerrado em fevereiro.